Canindé de São Francisco (SE) – O sertão sergipano ganhou novos profissionais preparados para contribuir com um turismo mais responsável. Nesta sexta-feira (4), foi encerrada a primeira turma de 2026 do Curso de Capacitação de Condutores de Turismo em Educação Ambiental, uma formação que levou os participantes para além da sala de aula e transformou o próprio território em espaço de aprendizagem.
Realizado pela ONG Centro da Terra, em parceria com a BIOTA – Projetos e Consultoria Ambiental, e com a participação das instituições parceiras envolvidas na iniciativa, o curso reuniu conhecimentos de Turismo, Biologia, Geografia, Educação Ambiental, cultura, história, conservação, segurança e primeiros socorros.
A realização do curso atende ao estabelecido no Programa de Medidas Compensatórias dos Impactos sobre a Fauna, do Processo de Licenciamento nº 02001.024587/2023-62, conduzido pelo IBAMA.
Uma sala de aula a céu aberto
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Durante a formação, os participantes vivenciaram diferentes ambientes e atrativos de Canindé de São Francisco, relacionando teoria e prática e compreendendo as potencialidades e os desafios da atividade turística no território.
A programação incluiu visitas à Agrofloresta Umbuzeiro, Morro do Cruzeiro, Museu de Arqueologia de Xingó (MAX), Cemitério da Antiga Canindé, Cachoeira do Lajedão e Vale dos Mestres.
Cada espaço proporcionou uma experiência diferente.

Na Agrofloresta Umbuzeiro, os participantes puderam compreender a relação entre produção, conservação e valorização dos conhecimentos associados ao território.
No Morro do Cruzeiro, a paisagem foi utilizada como espaço de interpretação e reflexão sobre território e turismo.
Já no Museu de Arqueologia de Xingó, a formação aproximou os futuros condutores da história da ocupação humana na região e da importância do patrimônio arqueológico para a compreensão do território.

História, memória, fé e cultura também fazem parte da condução
Um dos diferenciais da formação foi levar os participantes a compreender que o patrimônio turístico de Canindé de São Francisco vai muito além das paisagens naturais.Durante a programação, os alunos também conheceram a Capela Padre Cícero, espaço em que Lycka de Dão compartilhou aspectos da história da antiga e da nova Canindé de São Francisco, contextualizando as transformações provocadas pela mudança da cidade e sua relação com a memória da população.

Capela Padre Cícero
A atividade também possibilitou conhecer manifestações culturais nas quais a família de Lycka atua diretamente, aproximando os participantes dos saberes, das tradições e das expressões culturais que fazem parte da identidade canindeense.
No Cemitério da Antiga Canindé, essa abordagem histórica ganhou continuidade com a construção coletiva de uma Linha do Tempo de Canindé de São Francisco, relacionando acontecimentos históricos, memória e transformação do território.
Dessa forma, a formação mostrou aos futuros condutores que contar a história de um destino também é uma forma de preservar sua memória e valorizar as pessoas que constroem essa história.
Prática, segurança e condução

Na Cachoeira do Lajedão, os participantes colocaram em prática conhecimentos relacionados à condução, comunicação, interpretação, segurança e atendimento a situações de emergência.
As atividades foram conduzidas pelo instrutor Leandro Silva, que contou com o suporte do condutor e guia de turismo Fagner Luan, fortalecendo a experiência prática e a troca de conhecimentos entre profissionais que atuam diretamente com a visitação turística.

No Vale dos Mestres, a formação ganhou ainda mais força ao abordar temas como mínimo impacto, sinalização de trilhas, comportamento e perfil do visitante, educação patrimonial, ordenamento da visitação, possibilidades de camping e Código de Conduta do Turista.
Os participantes também tiveram contato com princípios como o Leave No Trace, reforçando a importância de reduzir os impactos causados pela visitação e preservar os ambientes naturais para as próximas gerações.
Formar condutores é também formar agentes de conservação
Ao longo do curso, os participantes foram estimulados a compreender que o condutor exerce uma função que vai muito além de acompanhar um grupo por uma trilha.
Ele é também um mediador entre o visitante e o território.
É quem pode transformar uma caminhada em uma experiência de conhecimento, despertar a percepção ambiental, valorizar a cultura local, orientar comportamentos responsáveis e contribuir para a conservação dos patrimônios natural e cultural.
A formação contou com os instrutores Elias José da Silva, Raquel Ferreira da Silva Santos, Valeria Ahumedo Torrado, Carlos Moisés de Lima Santos, Leandro Silva e Valdo Lacerda, além da participação e colaboração de profissionais convidados ao longo das atividades.
A diversidade de profissionais envolvidos permitiu uma abordagem verdadeiramente interdisciplinar, conectando diferentes conhecimentos em torno de um objetivo comum: qualificar pessoas do território para atuar de forma responsável no turismo de natureza.
Uma nova geração de condutores para o turismo de Canindé
O encerramento da primeira turma de 2026 representa mais do que o término de uma capacitação. É o início de uma nova etapa para os participantes e uma oportunidade de fortalecimento do turismo local.
Canindé de São Francisco possui um território marcado pelo Rio São Francisco, Caatinga, cânions, trilhas, sítios arqueológicos, paisagens naturais, cultura e uma história singular.
Para que todo esse patrimônio seja transformado em experiências turísticas de qualidade, é fundamental contar com profissionais preparados para receber, conduzir, interpretar, sensibilizar e preservar.

E a formação continua.
Uma nova turma do Curso de Capacitação de Condutores de Turismo em Educação Ambiental está prevista para outubro de 2026, ampliando o número de pessoas capacitadas e fortalecendo a rede local de profissionais comprometidos com um turismo mais sustentável.
Ao concluir a primeira turma do ano, fica uma certeza: quem conhece profundamente o território está mais preparado para conduzir o visitante — e quem aprende a valorizar o território também aprende a cuidar dele.
Canindé de São Francisco: conhecimento que se transforma em experiência, e experiência que ajuda a conservar o território.
Curso de Capacitação de Condutores de Turismo em Educação Ambiental – 2026
Realização: Centro da Terra
Parcerias: BIOTA • Elecnor • Pedras Transmissão de Energia S/A • IBAMA e demais instituições parceiras envolvidas na iniciativa
Fotos: Acervo ONG Centro da Terra
