Foto: Igor Matias

No Dia Internacional da Mulher, profissionais do sexo feminino que atuam na linha de frente da cadeia produtiva do setor mostram como transformam atendimento em experiência
 

Em 8 de março, é celebrado o Dia Internacional da Mulher. Mais do que homenagens, relatos de mulheres que inspiram reforçam o verdadeiro significado da data. Destaque para as que movimentam o turismo em Sergipe, atuando na linha de frente do setor, nos mais diversos segmentos da cadeia produtiva do turismo. Elas têm histórias de luta, conquistas e protagonismo, avanços essenciais na sociedade atual, na qual as representantes do sexo feminino vêm ganhando destaque ao ocupar espaços antes comandados por homens.

A secretária de Estado do Turismo, Daniela Mesquita, que também é empreendedora e primeira mulher a assumir a pasta, destaca que a data serve como momento de reflexão, pois o protagonismo feminino tem ganhado cada vez mais espaço em setores estratégicos da economia. Para ela, ocupar posições de liderança é resultado de preparo e persistência. “A mulher tem mostrado competência, sensibilidade e visão estratégica na gestão pública e na iniciativa privada. Por isso, considero que o Dia Internacional da Mulher é um momento de reconhecimento e, sobretudo, de reafirmação do compromisso com mais oportunidades. Portanto, reconhecer as conquistas é importante, mas continuar avançando é essencial”, considerou.

Para Irma Karla Barbosa, do Singtur, o empoderamento feminino impacta diretamente a qualidade dos serviços e o desenvolvimento dos destinos turísticos / Foto: Max Carlos/Setur

Em diferentes áreas, as mulheres demonstram que a liderança feminina vai além das estatísticas e se materializa nas decisões, no cotidiano, nas decisões e, principalmente, na construção de novas realidades. A presidente do Sindicato dos Guias de Turismo (Singtur), Irma Karla Barbosa, avalia que, no turismo, as mulheres são a maioria da força de trabalho, e o empoderamento feminino impacta diretamente a qualidade dos serviços e o desenvolvimento dos destinos turísticos.

“Quando as mulheres participam mais das tomadas de decisão, o setor se torna mais diverso, inclusivo e inovador. O turismo passa a ser mais sustentável, valoriza a cultura local e proporciona melhores experiências para os viajantes, além de contribuir para uma distribuição de renda mais justa. Empoderar mulheres no turismo não é apenas um direito, mas uma estratégia essencial para destinos que buscam crescimento sustentável e competitividade no mercado”, ressaltou.

Confiança fortalecida

 

A empreendedora Rose Araújo é um dos exemplos de liderança feminina que vêm se consolidando ultimamente. Empreendendo há 11 anos à frente de cinco bares/restaurantes, ela destaca que a autonomia é um fator decisivo para fortalecer a confiança e ampliar a presença feminina em espaços de liderança. Segundo a empresária, conduzir o próprio negócio transformou a forma de ela se enxergar como gestora. “Estar à frente do meu negócio me ensinou algo muito profundo: autonomia muda a forma como uma mulher se enxerga. Quando você decide, assume riscos, enfrenta críticas e, ainda assim, segue firme, começa a confiar mais em si, e essa confiança transforma tudo. Aprendi que liderança não nasce da ausência de medo, mas da coragem de agir apesar dele”, afirma.

A empreendedora Rose Araújo é um dos exemplos de liderança feminina que vêm se consolidando nos últimos anos / Foto: Max Carlos/Setur

Rose Araújo também lembra que a pandemia de Covid-19 foi um dos momentos mais desafiadores da trajetória dela, quando precisou lidar com contas acumuladas, estoque parado, pagamento de colaboradores e estabelecimentos fechados. “Certamente, a pandemia foi um momento muito desafiador. Tivemos que superar uma mesa lotada de boletos, estoque cheio, pagamento de colaboradores e casa fechada. Saímos muito mais fortes depois disso”, constatou. Para mulheres que desejam empreender no ramo de bares e restaurantes, Rose aconselha determinação e fidelidade ao propósito inicial. “Sejam fiéis à ideia inicial. Não é um ramo fácil. É preciso muita força de trabalho, disciplina e resiliência”, orientou.

Já a empresária e gestora de empreendimentos turísticos Raíra Santos Córdova, com mais de dez anos de atuação em turismo, hotelaria e desenvolvimento de projetos, salientou que liderar no setor exige decisão rápida, visão estratégica e sensibilidade para lidar com pessoas. “Um dos maiores desafios é manter o equilíbrio entre estratégia e humanização. Liderar no turismo não é apenas administrar números; é gerir sonhos, expectativas e experiências”, analisou.

A empresária e gestora de empreendimentos turísticos Raíra Córdova, tem mais de dez anos de atuação em turismo, hotelaria e desenvolvimento de projetos / Max Carlos/Setur

E, de acordo com Raíra, ainda há a questão de conciliar vidas pessoal e profissional, o que, de acordo com ela, requer priorizar com consciência, organização e uma rede de apoio estruturada. “A maturidade na liderança vem da consistência, não da necessidade de provar força o tempo todo”, declarou.

Sobre o protagonismo feminino, Raíra Códova destaca que a trajetória dela mostra que é possível ocupar espaços estratégicos com competência e identidade própria. A empresária explica que não precisou masculinizar a postura para liderar. “Fortaleço minha liderança por meio da intuição, da escuta ativa e da visão de longo prazo. A presença de mulheres em cargos de gestão contribui diretamente para experiências mais humanizadas aos hóspedes, com comunicação empática, atenção à experiência sensorial e gestão colaborativa, gerando valor e resultados sustentáveis para os empreendimentos”, concluiu.

 

Fonte: AScom Setur/SE