Foi aberta nesta terça-feira (24), no Salão de Artes Vesta Viana, a exposição “Verde Vivo”, da artista visual Aline Viana. A mostra integra o projeto “Paisagem e meio ambiente como ícones de um povo”, aprovado pela Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap) por meio do Edital de Circulação e Formação Cultural PNAB nº 07/2025, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB – Lei nº 14.399/2022). Ela segue disponível ao público até o dia 26 de abril.

O título “Verde Vivo” traduz a proposta conceitual da mostra ao evocar, de maneira sensível e poética, não apenas a força e a vitalidade da natureza, mas também as questões políticas, ambientais e territoriais que atravessam os espaços naturais na contemporaneidade.

A exposição reúne 16 obras, sendo 10 trabalhos inéditos desenvolvidos no âmbito do projeto original, além de peças complementares que sustentam a curadoria e a expografia. Executadas em lápis de cor sobre papel, as obras apresentam paisagens naturais sergipanas como ícones de identidade, pertencimento e reflexão ambiental, dialogando com o gênero da pintura de paisagem e com os dilemas contemporâneos da relação entre ser humano e natureza.

Aline Viana, artista responsável pela exposição
Segundo Aline Viana, a exposição nasce de uma inquietação pessoal e de um compromisso com o território sergipano, onde seu olhar artístico foi despertado e amadurecido. “A exposição Verde Vivo nasce de um desejo e de uma necessidade que eu percebi de representar a paisagem sergipana. Eu sou uma artista que nasceu em Minas Gerais, mas resido aqui há algum tempo, e foi em Sergipe que meu olhar para a paisagem foi despertado, para suas belezas, seus grandes rios e seus dois biomas tão importantes, a Mata Atlântica e a Caatinga. Dentro desse contexto de urgência climática, acredito que precisamos refletir sobre a paisagem, sobre o que temos construído e sobre as populações que a preservam, muitas vezes comunidades quilombolas e indígenas”, afirmou.
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Ela também ressalta o papel político da arte diante das transformações ambientais e a importância de envolver as novas gerações nesse debate. “Meu foco está nesse debate político sobre as transformações antrópicas, sobre como o ser humano modifica o meio ambiente e o que podemos fazer para adiar o fim do mundo. Acredito que a arte é um meio potente de provocar essas reflexões. Fico especialmente feliz quando vejo o público jovem presente nas exposições, porque a ideia é que, a partir das minhas reflexões, eu possa passar a bola para as novas gerações, incentivando-as a pensar também sobre o fazer artístico”, destacou.

Laís Santos, coordenadora do Salão de Artes Vesta Viana
Laís Santos, coordenadora do Salão de Artes Vesta Viana, considera que a produção é sensível e rica em detalhes, sendo uma honra receber a mostra de forma itinerante na Cidade Mãe. Para ela, “é fundamental que as pessoas aqui de São Cristóvão tenham a oportunidade de conhecer e refletir um pouco mais sobre a paisagem e os biomas do nosso estado. Essa mostra é uma oportunidade única para que o público venha prestigiar, aprender e se conectar ainda mais com a nossa própria realidade.”

O visitante Lucas de Jesus destacou sua percepção sobre a trajetória da artista e a relevância da mostra para o público sergipano. “A primeira impressão que tive da exposição da Aline Viana foi muito positiva. Ela já apresentou seus trabalhos em Aracaju, no FASC e em outros espaços, inclusive nas ruas, com ações de panfletagem artística. Acho extremamente importante a forma como ela utiliza o lápis de cor, um material não convencional, que dá uma identidade muito própria às obras”, pontuou.

Jhonan Luiz, que também esteve na abertura da exposição, ressaltou que a vinda inédita da artista mineira ao Vesta Viana proporciona uma nova perspectiva sobre a paisagem local, misturando com maestria elementos urbanos, como igrejas em ruínas, à natureza do mangue e da fauna, por meio de uma técnica surpreendentemente realista em lápis de cor. Segundo ele, o olhar distanciado de quem vem de fora ajuda a perceber detalhes que muitas vezes passam despercebidos por quem já está habituado à rotina da cidade, destacando que a obra “pode evocar em nós uma relação que supostamente tem se perdido ao longo do tempo, que é a relação de nós, corpos urbanos, urbanizados, com essa natureza que nos constitui”.
Publicado por :Inacio
Fotos por :Dani Santos
Fonte: Prefeitura de São Cristóvão
